Investimento de US$ 310 milhões coloca município do sudeste do Pará entre os produtores de um dos minerais mais estratégicos para a transição energética e a indústria global.
O município de Tucumã, no sudeste do Pará, passou a ocupar um lugar de destaque no setor mineral brasileiro após a mineradora canadense Ero Copper declarar oficialmente, em 1º de julho de 2025, o início da produção comercial de sua mina de cobre. O empreendimento, construído do zero com investimento de aproximadamente US$ 310 milhões, marca a entrada da cidade na rota global dos chamados minerais críticos, essenciais para a produção de veículos elétricos, redes de transmissão de energia, baterias e centros de processamento de dados.
Até então mais conhecida pela agropecuária e pela atividade madeireira, Tucumã agora soma a mineração de cobre como um dos pilares de sua economia.
Produção comercial representa nova fase do projeto
No setor mineral, declarar a produção comercial significa que a mina deixou a fase de testes e comissionamento para operar de forma estável, contínua e dentro dos parâmetros previstos no projeto.
Antes da declaração oficial, a operação já havia alcançado mais de 75% de sua capacidade nominal, condição necessária para que a empresa reconhecesse formalmente o início das atividades comerciais.
Com isso, os custos deixam de ser contabilizados como investimentos de implantação, enquanto a venda do cobre passa a gerar receitas recorrentes para a empresa.
Planta foi construída para processar 4 milhões de toneladas por ano
A unidade de Tucumã foi projetada para beneficiar aproximadamente 4 milhões de toneladas de minério por ano.
Para alcançar essa capacidade, a empresa implantou toda a infraestrutura necessária para uma operação de mineração moderna na Amazônia, incluindo abertura da cava, planta de beneficiamento, sistema de filtragem do concentrado, fornecimento de energia, acessos e estrutura ambiental exigida pelos órgãos reguladores.
Segundo a empresa, um dos últimos passos antes da declaração comercial foi a entrada em operação do terceiro filtro-prensa, equipamento responsável pela retirada de água do concentrado antes do transporte.

Produção cresce rapidamente
Os números demonstram a velocidade da evolução operacional.
Em 2024, durante a fase inicial de ramp-up, a mina produziu aproximadamente 5,2 mil toneladas de concentrado de cobre.
Para 2025, a expectativa passou para 37,5 mil a 42,5 mil toneladas, colocando a operação entre os novos projetos mais relevantes do setor no país.
Embora o volume ainda seja inferior ao produzido pelas gigantes minas de Carajás, representa uma expansão importante da oferta brasileira de cobre.
Reservas garantem cerca de 12 anos de lavra
De acordo com informações divulgadas pela Gazeta Carajás, a mina possui reservas estimadas em aproximadamente 43 milhões de toneladas de minério, com teor médio de 0,83% de cobre.
Isso representa cerca de 356,6 mil toneladas de cobre contido, suficientes para uma vida útil estimada em aproximadamente 12 anos na atual operação a céu aberto.
Cobre torna-se um dos minerais mais estratégicos do mundo
O momento de entrada da mina no mercado coincide com uma forte expansão da demanda mundial pelo cobre.
O metal é considerado indispensável para carros elétricos, redes de transmissão e distribuição de energia, motores elétricos, baterias, subestações e infraestrutura para inteligência artificial e grandes data centers.
Especialistas apontam que a transição energética deverá ampliar significativamente o consumo do metal nas próximas décadas, enquanto novos projetos de mineração levam muitos anos para sair do papel.
Nesse cenário, cada nova mina em operação ganha importância estratégica para o mercado internacional.
Tucumã amplia a diversificação da mineração brasileira
Historicamente, a produção brasileira de cobre esteve concentrada em poucos grandes empreendimentos, especialmente ligados ao complexo mineral de Carajás.
A operação de Tucumã demonstra que outras regiões do país também possuem potencial para desenvolver projetos competitivos, ampliando a participação brasileira no mercado global e diversificando a origem da produção nacional.
Para investidores e para a indústria mineral, isso reduz a concentração da oferta, atrai novos capitais e fortalece a posição do Brasil entre os produtores internacionais.

Benefícios econômicos e desafios para o município
Para Tucumã, a entrada da mina em operação representa geração de empregos diretos e indiretos, fortalecimento da cadeia de fornecedores, aumento da arrecadação de tributos e receitas provenientes da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), conhecida como royalty da mineração.
Ao mesmo tempo, especialistas alertam para os desafios típicos dos municípios mineradores, como crescimento acelerado da população, pressão sobre saúde, educação e infraestrutura, aumento do custo de vida e dependência econômica de um único setor.
Por isso, o principal desafio para o município será transformar a riqueza gerada durante a vida útil da mina em desenvolvimento permanente, com investimentos em infraestrutura, educação e diversificação econômica capazes de sustentar o crescimento mesmo após o encerramento da atividade mineral.
Os desafios de minerar cobre na Amazônia
O potencial econômico da mineração não elimina os desafios ambientais inerentes à atividade, especialmente quando ela ocorre na Amazônia. Operar uma mina na região exige licenciamento rigoroso, monitoramento permanente, gestão eficiente dos recursos hídricos, controle de barragens e rejeitos, além do cumprimento de uma série de condicionantes ambientais estabelecidas pelos órgãos competentes.
Por reunir um dos biomas mais importantes do planeta, a Amazônia permanece sob constante atenção de órgãos fiscalizadores, pesquisadores e da sociedade. Assim, empreendimentos minerários precisam demonstrar, na prática, que é possível conciliar produção, segurança operacional e responsabilidade ambiental.
No caso de Tucumã, a operação da Ero Copper deverá servir como um importante termômetro para avaliar se a produção de um mineral estratégico para a transição energética pode caminhar lado a lado com a preservação ambiental. Essa resposta dependerá da condução da mina ao longo dos próximos anos, do cumprimento das exigências legais e da transparência na divulgação de seus resultados ambientais.
Se, por um lado, o empreendimento representa emprego, arrecadação, investimentos e desenvolvimento para Tucumã, por outro reforça a necessidade de planejamento de longo prazo. A transformação da riqueza mineral em um legado permanente dependerá da capacidade do poder público, da empresa e da sociedade de investir em educação, infraestrutura, diversificação econômica e qualidade de vida, garantindo que os benefícios permaneçam mesmo após o esgotamento da jazida.

