Nilvan Oliveira | 28/10/2026
O assassinato dos irmãos Gabrielle Souza Mota, de 25 anos, e Andrey Pereira Mota, de 31, completa três anos nesta quarta-feira (28). As vítimas foram executadas na madrugada de 28 de outubro de 2023, após um show durante a ExpoCanaã, em Canaã dos Carajás, no sudeste do Pará. O caso teve novos desdobramentos em 2026, com prisões preventivas, a identificação da arma utilizada no crime por meio de perícia e mandados judiciais contra outros dois investigados, que continuam foragidos, segundo as últimas informações fornecidas.
A investigação avançou em abril, quando a Polícia Civil prendeu Andressa Coelho de Sousa Ferreira, ex-cunhada de uma das vítimas, e Maycon de Sousa Ferreira Coelho. A prisão de Andressa ocorreu por suspeita de participação no duplo homicídio. Maycon foi preso inicialmente em flagrante por posse ilegal de arma de fogo e munições.

Um dos principais avanços foi a conclusão de um laudo de comparação microbalística, que apontou que o revólver apreendido na residência do casal foi a mesma arma utilizada na execução dos irmãos. O resultado fortaleceu as investigações conduzidas pela 16ª Superintendência Regional de Carajás e pela Delegacia de Homicídios de Parauapebas.
Justiça decreta prisão de ex-sogra de Gabrielle e outro investigado
Em julho de 2026, a Justiça decretou a prisão preventiva de Olívia Alves Coelho de Moraes, ex-sogra de Gabrielle, e de Tanielton Taveira da Silva. De acordo com as informações divulgadas sobre a investigação, os dois não foram encontrados durante o cumprimento dos mandados e passaram a ser considerados foragidos.
Olívia é investigada por suposta participação na articulação intelectual e financeira do crime. Já Tanielton é apontado como suspeito de ter fornecido as armas e munições utilizadas na ação criminosa. As acusações integram as linhas investigativas e ainda dependem de apuração e apreciação judicial.
Além das prisões, a Vara Criminal de Canaã dos Carajás autorizou mandados de busca e apreensão e a quebra do sigilo de dados telemáticos de aparelhos eletrônicos recolhidos durante as diligências.

Como aconteceu o crime
Na noite de 28 de outubro de 2023, após o encerramento de um show na ExpoCanaã, Gabrielle deixou o local dirigindo um Volkswagen Polo branco. Andrey estava no banco do passageiro, enquanto uma amiga dos irmãos ocupava o banco traseiro.
Segundo o relato da testemunha sobrevivente, um homem se aproximou do veículo e anunciou um assalto, exigindo os celulares e a chave do carro. Mesmo depois de as vítimas obedecerem às ordens, o criminoso atirou na cabeça de Gabrielle e, em seguida, disparou contra Andrey a curta distância.

Após os disparos, o autor fugiu na garupa de uma motocicleta escura, levando pertences das vítimas.
A perícia constatou que os tiros foram disparados com um revólver calibre .38. Também identificou que os pneus do lado do motorista estavam esvaziados, circunstância que reforçou a hipótese de premeditação.
Família cobrava justiça
Quinze dias antes do crime, a família já havia recebido uma ameaça anônima por WhatsApp, direcionada a Gabrielle. Durante as investigações, o aparelho utilizado para enviar a mensagem foi localizado, mas, por ser um telefone de uso coletivo em uma assistência técnica, não foi possível identificar o autor naquele momento.
Em entrevista concedida anteriormente ao jornal CORREIO, Celma Mota, mãe de Gabrielle e madrasta de Andrey, demonstrou angústia com a demora na solução do caso e receio de que os assassinatos fossem esquecidos.

“Eu só quero justiça. Já se passaram dois anos e continuo sem resposta. Tenho medo de que o caso seja arquivado”, afirmou à época.
Três anos depois, investigação tem novos desdobramentos
O terceiro aniversário do duplo homicídio ocorre em meio a uma nova fase da investigação. As prisões realizadas em 2026, o resultado da perícia balística e os mandados contra outros dois suspeitos representam avanços na apuração de um crime que marcou Canaã dos Carajás.
Até as últimas informações apresentadas nesta atualização, Olívia Alves Coelho de Moraes e Tanielton Taveira da Silva permaneciam foragidos. Não há, no material consultado para esta atualização, confirmação de que tenham sido localizados posteriormente.
Os investigados são considerados suspeitos, e a responsabilidade criminal de cada um deverá ser definida pela Justiça. A defesa dos envolvidos não teve posicionamento posterior confirmado nas informações disponíveis para esta matéria.
Três anos após a morte de Andrey e Gabrielle, familiares seguem em busca de justiça, enquanto a investigação procura esclarecer a participação de cada suspeito e todas as circunstâncias do crime.

