Visita guiada reuniu sites, blogs, portais e emissoras locais para conhecer a cava, as linhas de produção, o Centro de Operações Integradas e os transportadores de minério. Projeto Serra Sul +20 prevê ampliar a capacidade produtiva, enquanto os repasses da CFEM já se aproximam de R$ 655 milhões em Canaã em 2026.
Representantes de diferentes veículos de comunicação do sudeste do Pará participaram de uma visita guiada ao Complexo S11D, da Vale, em Canaã dos Carajás. A programação permitiu conhecer de perto as dimensões da operação, os processos de extração e beneficiamento do minério de ferro, os sistemas de transporte e as iniciativas relacionadas à sustentabilidade.
O Portal Nilvan Oliveira e a rádio Shalon FM participaram da atividade, representados pelo comunicador Nilvan Oliveira. A equipe foi recebida por Rhayma do Carmo, gerente-geral de Operações de Serra Sul (S11D), que apresentou à imprensa os diferentes setores do complexo e acompanhou a programação.
Durante a visita guiada, os profissionais de sites, blogs, portais de notícias e emissoras de comunicação da região conheceram áreas estratégicas da operação, incluindo a cava, o Centro de Operações Integradas (COI), os Transportadores de Correia de Longa Distância (TCLD) e outras estruturas fundamentais para o funcionamento do empreendimento.
A visita ocorre em um momento simbólico para o empreendimento: em 2026, o S11D celebra dez anos de operação. Ao longo dessa trajetória, o complexo consolidou sua importância para a mineração brasileira e para a economia de Canaã dos Carajás. Agora, a operação avança para uma nova etapa de expansão com o projeto Serra Sul +20, que prevê acrescentar até 20 milhões de toneladas anuais à capacidade produtiva.
A experiência também ajudou a dimensionar o papel do S11D na economia regional e na estratégia de expansão da Vale, em um momento marcado pelo avanço do Programa Novo Carajás e pela discussão sobre os impactos econômicos e ambientais da mineração em Carajás.
Linhas de produção e a dimensão do S11D
O S11D é um dos principais empreendimentos de minério de ferro da Vale no Sistema Norte. Sua capacidade nominal original foi projetada para aproximadamente 90 milhões de toneladas por ano, colocando Canaã dos Carajás entre os municípios mais importantes para a mineração brasileira.
De acordo com um documento institucional publicado pela Vale em 19 de setembro de 2016, o projeto foi concebido com três linhas de produção, cada uma com capacidade para processar 30 milhões de toneladas anuais.
Para alcançar esse volume, a operação integra diferentes etapas, desde a extração do minério na cava até a britagem, o processamento e o transporte. As linhas de produção e os equipamentos precisam funcionar de maneira coordenada para garantir regularidade, qualidade e eficiência.
O Centro de Operações Integradas (COI) acompanha informações operacionais e auxilia as equipes no monitoramento dos processos. Já os transportadores de correia movimentam o minério ao longo de grandes distâncias, conectando diferentes etapas da operação.
Essa estrutura permite compreender por que o desempenho de uma grande mina não depende apenas da quantidade de minério retirada do solo. A capacidade de processamento, a disponibilidade dos equipamentos, a logística e a segurança operacional também são determinantes para o resultado final.
Serra Sul +20: uma nova etapa de expansão
Um dos principais destaques da expansão é o projeto Serra Sul +20, que integra o Programa Novo Carajás, da Vale.
A iniciativa prevê acrescentar até 20 milhões de toneladas anuais à capacidade de produção de Serra Sul. O projeto contempla intervenções na infraestrutura existente, incluindo a duplicação do Transportador de Correia de Longa Distância, abertura de novas áreas de lavra, implantação de um sistema de britagem semimóvel e ampliação das estruturas de processamento.
O novo TCLD é uma das estruturas centrais desse conjunto de investimentos. A Vale anunciou o comissionamento do equipamento, etapa importante para sua integração à operação.
O projeto também prevê uma nova linha de processamento, ampliando a capacidade de tratamento do minério. Com a expansão, a operação poderá elevar o volume produzido e ganhar flexibilidade para responder às necessidades do mercado.
Considerando a capacidade nominal original de 90 milhões de toneladas anuais e o acréscimo previsto pelo Serra Sul +20, a expansão representa um potencial de crescimento para cerca de 110 milhões de toneladas por ano. Esse cálculo considera as capacidades de referência e não significa que todo o volume adicional já esteja sendo produzido.
O Serra Sul +20 está entre os projetos estratégicos da Vale para ampliar a oferta de minério de ferro de alta qualidade. Juntamente com iniciativas como Capanema e VGR1, integra o plano da companhia de alcançar uma produção anual próxima de 360 milhões de toneladas de minério de ferro até 2030.
A licença de operação para as atividades relacionadas à mina do projeto foi concedida em setembro de 2025, segundo as informações divulgadas pela empresa.
Sustentabilidade: tecnologia, água e emissões
A dimensão da operação também coloca em evidência os desafios ambientais da mineração. Entre as características tecnológicas do S11D estão o sistema truckless, que utiliza escavadeiras, britadores móveis e correias transportadoras para substituir parte do transporte convencional por caminhões fora de estrada, e o beneficiamento a umidade natural, também conhecido como processamento a seco.
Segundo a Vale, no planejamento original divulgado em 2016, o sistema truckless foi projetado para reduzir em aproximadamente 70% o consumo de diesel em comparação com uma configuração convencional. A empresa também estimava que o beneficiamento a umidade natural permitiria reduzir em 93% o consumo de água em relação a uma planta de processamento a úmido.
A companhia projetava ainda uma redução de pelo menos 50% nas emissões anuais de gases de efeito estufa, considerando a combinação dessas tecnologias. Esses percentuais são estimativas divulgadas durante a implantação do empreendimento e não devem ser confundidos com resultados ambientais atualizados de 2026.
A sustentabilidade envolve também controle de poeira, gestão de resíduos, monitoramento da qualidade da água, recuperação de áreas, proteção da biodiversidade e prevenção de impactos sobre as comunidades do entorno.
Em uma região de grande relevância ambiental como Carajás, essas medidas são fundamentais para acompanhar a expansão da atividade mineral. A ampliação da produção exige que os compromissos ambientais sejam avaliados continuamente, com transparência sobre resultados, riscos e medidas de mitigação.
Mosaico de Carajás: números e preservação ambiental
A relação entre mineração e conservação ambiental é um dos aspectos mais importantes para compreender a dimensão do S11D. O empreendimento está em uma região que reúne unidades de conservação e áreas protegidas de grande relevância para a biodiversidade amazônica.
Em documento institucional publicado em 2016, a Vale informou que a Floresta Nacional de Carajás (Flona de Carajás) possui aproximadamente 412 mil hectares. Na mesma publicação, a empresa afirmou que a configuração adotada para o projeto, com parte significativa das estruturas industriais instalada em terrenos de pastagem fora da unidade de conservação, permitiu reduzir em mais de 40% a supressão vegetal prevista no plano diretor original, que considerava 2,6 mil hectares.
O documento também estimava que cerca de 3% da Flona teriam sofrido interferência das atividades de mineração da Vale desde o início de sua atuação na região, considerando o período histórico de aproximadamente 30 anos mencionado na publicação. Esse percentual não corresponde à área ocupada exclusivamente pelo S11D nem à proporção de todo o Mosaico de Carajás utilizada pela empresa.
Outro dado apresentado pela companhia foi a aquisição de aproximadamente 10,3 mil hectares de propriedades no entorno da usina e das áreas destinadas às pilhas de estéril e canga. Na ocasião, cerca de 2,2 mil hectares de áreas degradadas estavam em recuperação, com iniciativas de reabilitação da vegetação nativa.
Esses números ajudam a dimensionar as medidas ambientais previstas durante a implantação do projeto, mas precisam ser interpretados dentro de seu contexto histórico. A área total da Flona, as propriedades adquiridas, as áreas em recuperação e a superfície diretamente ocupada pela mineração são categorias distintas.
O Mosaico de Carajás reúne diferentes áreas protegidas e não deve ser confundido com a Floresta Nacional de Carajás isoladamente. Por isso, o percentual de 3% informado pela Vale em 2016 não pode ser apresentado como o percentual atual de ocupação do Mosaico pela empresa.
A distinção é importante para que a população compreenda tanto a dimensão territorial dos empreendimentos quanto a responsabilidade de preservar áreas ambientalmente sensíveis. Os dados históricos oferecem uma referência sobre o planejamento original do S11D, enquanto a avaliação da situação atual depende de informações territoriais e ambientais mais recentes.
CFEM: Canaã acumula quase R$ 655 milhões em 2026
A importância da mineração para Canaã dos Carajás também aparece nos repasses da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), uma compensação financeira devida pela exploração mineral e distribuída entre a União, os estados e os municípios beneficiários, conforme as regras legais.
Entre janeiro e outubro de 2026, Canaã dos Carajás acumulou aproximadamente R$ 654,9 milhões em repasses da CFEM, de acordo com os dados levantados anteriormente. O valor evidencia a dimensão da participação da atividade mineral nas receitas que chegam ao município.
Entre os repasses mensais identificados no levantamento, abril registrou aproximadamente R$ 78,1 milhões, enquanto fevereiro contabilizou R$ 72,2 milhões e junho, R$ 71,6 milhões. Em 15 de outubro, o último repasse identificado foi de cerca de R$ 62,9 milhões.
Os valores oscilam conforme a arrecadação e os critérios de distribuição da compensação mineral. Por isso, o total acumulado deve ser atualizado com base nos registros oficiais da Agência Nacional de Mineração (ANM) antes da publicação.
A CFEM não deve ser confundida com o faturamento da Vale nem com o total de impostos arrecadados pelo município. Trata-se de uma compensação financeira vinculada à exploração mineral, cuja aplicação deve observar as restrições e finalidades previstas na legislação.
O montante recebido reforça a dimensão econômica da mineração para Canaã dos Carajás. Ao mesmo tempo, amplia a importância do debate sobre planejamento público, diversificação econômica e utilização dos recursos para melhorar os serviços e a infraestrutura, considerando que a atividade mineral está sujeita às oscilações do mercado e à natureza finita dos recursos explorados.
Programa Novo Carajás e os desafios para o futuro
O Serra Sul +20 integra a estratégia da Vale de ampliar a produção de minério de ferro de alta qualidade, aumentar a eficiência operacional e fortalecer sua posição no mercado internacional.
A expansão ocorre em uma região que combina grandes empreendimentos minerais, receitas expressivas para os municípios e áreas de elevada relevância ambiental. Nesse cenário, os resultados da mineração precisam ser analisados em diferentes dimensões: produção, tecnologia, geração de receitas públicas, conservação ambiental e qualidade de vida da população.
A visita guiada permitiu à imprensa regional conhecer parte dessa estrutura e compreender como as diferentes etapas da operação se conectam. Para Canaã dos Carajás, acompanhar a expansão do S11D significa também observar os efeitos de uma atividade que influencia diretamente a economia local e ocupa posição estratégica no desenvolvimento do sudeste do Pará.
O desafio é transformar a riqueza mineral em benefícios duradouros para a população, com transparência, responsabilidade ambiental e planejamento para o futuro.

