A Polícia Civil do Estado do Pará deflagrou, na última quinta-feira (4), a Operação “Matrícula Fantasma”, uma ação que investiga um suposto esquema estruturado de fraudes imobiliárias envolvendo a falsificação de documentos e a venda irregular de imóveis.

A operação foi coordenada pela 20ª Seccional Urbana de Parauapebas, unidade vinculada à 16ª RISP – Superintendência Regional de Carajás, e resultou no cumprimento de quatro mandados de prisão preventiva contra pessoas investigadas por, em tese, integrarem uma associação criminosa especializada nesse tipo de crime.
Participaram da ação equipes da Delegacia de Polícia Civil de Canaã dos Carajás, do Departamento de Combate a Crimes Tecnológicos da Polícia Civil do Maranhão e do NAI/PCPA de Marabá.

Ao todo, três prisões foram realizadas em Canaã dos Carajás, no sudeste do Pará, e uma ocorreu no Estado do Maranhão.
Foram presos Adriano M. D. S., Douglas W. O. T. e Danah L. O. D. L., em Canaã dos Carajás, além de Ronilson D. S. P., localizado no Maranhão.
Como funcionava o suposto esquema
Segundo as investigações da Polícia Civil, o grupo teria desenvolvido um método específico para identificar imóveis que haviam sido retomados por instituições financeiras e posteriormente disponibilizados para venda em leilões.
A partir daí, conforme apontam as investigações, documentos relacionados aos imóveis eram supostamente falsificados para fazer parecer que integrantes do grupo eram os legítimos proprietários dos bens.

Com essa documentação, os imóveis passavam a ser anunciados em redes sociais, plataformas digitais e marketplaces, geralmente por valores considerados atrativos, despertando o interesse de possíveis compradores.
As vítimas, acreditando estar diante de uma negociação legítima e de uma oportunidade para adquirir um imóvel por um preço abaixo do mercado, entravam em contato com os anunciantes.
Documentos e mecanismos para dar aparência de legalidade
De acordo com a Polícia Civil, para tornar as negociações aparentemente legítimas, os investigados utilizariam diferentes mecanismos e documentos.
Entre eles estariam certidões de matrícula falsificadas, contratos particulares, procurações públicas e até QR Codes fraudulentos, utilizados para reforçar a aparência de autenticidade das informações apresentadas às vítimas.

A investigação aponta que toda essa estrutura teria como objetivo convencer os compradores de que os imóveis realmente pertenciam às pessoas que estavam realizando a negociação.
Após o pagamento dos valores acertados, segundo a Polícia Civil, os envolvidos interrompiam o contato com as vítimas, que posteriormente descobriam ter sido enganadas.

Polícia investiga outros possíveis casos
As diligências realizadas durante a investigação identificaram diversos casos com características semelhantes, indicando, segundo a Polícia Civil, um possível padrão de atuação estruturado e repetido.
Agora, o trabalho investigativo continua com o objetivo de identificar outras possíveis vítimas, verificar se existem novos imóveis envolvidos no suposto esquema e apurar a possível participação de outras pessoas.
Os quatro investigados presos durante a Operação “Matrícula Fantasma” permanecem à disposição da Justiça.
A Polícia Civil reforça que as investigações continuam e que novas informações poderão surgir à medida que os procedimentos avançarem.

A operação chama atenção para os cuidados necessários durante negociações imobiliárias, especialmente quando os imóveis são anunciados por valores muito abaixo do mercado. Antes de realizar qualquer pagamento, é fundamental verificar a documentação, a situação do imóvel e a legitimidade das pessoas envolvidas na negociação.


