Convenção do MDB oficializa Hana Ghassan e expõe ruídos na aliança com o PT no Pará
Silêncio sobre Lula e ausência de confirmação oficial de Dirceu Ten Caten como vice geram desconforto entre petistas, apesar da demonstração de força do grupo governista
A convenção estadual do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), realizada neste sábado (1º), no Ginásio Mangueirinho, em Belém, oficializou a candidatura da vice-governadora Hana Ghassan ao Governo do Pará e confirmou as candidaturas do governador Helder Barbalho e do presidente da Assembleia Legislativa, Chicão, ao Senado Federal. O evento reuniu prefeitos, parlamentares e lideranças de diversos partidos da base aliada e teve como principal objetivo demonstrar a força política da coligação que disputará as eleições de 2026.
Apesar da mobilização e do clima de unidade, dois pontos chamaram atenção nos bastidores e passaram a dominar o debate político: a ausência de referências ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante os principais discursos e a falta de confirmação oficial do deputado estadual Dirceu Ten Caten (PT) como candidato a vice-governador na chapa de Hana Ghassan.
PT confirma apoio, mas não recebe reciprocidade pública
Na noite anterior à convenção do MDB, a Federação Brasil da Esperança — formada por PT, PV e PCdoB — havia homologado o apoio à candidatura de Hana Ghassan, além das candidaturas de Helder Barbalho e Chicão ao Senado. Na ocasião, também foi oficializada a indicação de Dirceu Ten Caten para compor a chapa majoritária como candidato a vice-governador.
No entanto, durante a convenção do MDB, o nome de Dirceu não foi anunciado oficialmente, assim como não houve manifestações públicas de apoio à reeleição do presidente Lula.
A diferença de postura entre os dois eventos gerou desconforto em setores do PT, que esperavam uma demonstração pública de reciprocidade por parte do MDB.
Relação entre Lula e o grupo Barbalho
O silêncio sobre Lula ganha relevância diante da proximidade política construída entre o governo federal e o grupo liderado pelos Barbalho.
O presidente estadual do MDB, Jader Filho, ocupa desde janeiro de 2023 o cargo de ministro das Cidades no governo Lula, responsável por uma das principais pastas de investimentos em infraestrutura urbana, saneamento e habitação.
Já Helder Barbalho declarou em diversas ocasiões apoio ao presidente e participou da campanha presidencial de Lula em 2022, destacando a importância da parceria entre os governos estadual e federal para a realização de obras e investimentos no Pará.
Embora o MDB nacional tenha decidido adotar neutralidade formal na disputa presidencial, permitindo que cada diretório estadual defina sua posição, a direção paraense optou por não tratar do tema durante a convenção.
Aliança entre MDB e PT passa por altos e baixos
A parceria entre MDB e PT não é recente.
Em 2014, os dois partidos integraram a mesma coligação na primeira candidatura de Helder Barbalho ao Governo do Pará, com apoio do então ex-presidente Lula e da presidente Dilma Rousseff.
Já em 2018, o PT lançou candidatura própria no primeiro turno com Paulo Rocha, mas declarou apoio a Helder no segundo turno, contribuindo para sua vitória sobre Márcio Miranda.
Desde então, o partido passou a integrar oficialmente o governo estadual, ocupando espaços na administração, entre eles a Secretaria de Estado de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda (Seaster).
Beto Faro reafirma Dirceu como vice
Mesmo sem confirmação oficial do MDB, o presidente estadual do PT e senador Beto Faro afirmou, durante entrevista concedida ao portal O Fluxo, que considera definida a participação de Dirceu Ten Caten na chapa.
“O Dirceu vai ser o vice-governador do Estado junto com a Hana.”
Na entrevista, Beto destacou o histórico de alianças entre MDB e PT e afirmou não ter dúvidas de que os dois partidos permanecerão juntos na eleição.
A declaração contrasta com a postura adotada pelo MDB, que encerrou a convenção sem apresentar oficialmente o nome do vice.
Bastidores indicam disputa por espaço
Nos bastidores da política paraense circulam informações de que o PT chegou a discutir a possibilidade de lançar candidatura própria ao Governo do Estado caso Dirceu Ten Caten não fosse confirmado na chapa.
Até o momento, não há qualquer deliberação oficial do Diretório Estadual nesse sentido.
Analistas avaliam que a sinalização também atende a uma necessidade interna do PT, que busca ampliar seu protagonismo político após sucessivas perdas de espaço nas eleições municipais dos últimos anos.
Debate interno no PT
A condução do partido pelo senador Beto Faro também tem sido alvo de questionamentos internos.
Entre os temas levantados por setores da legenda estão a redução do número de prefeitos eleitos, a estratégia de filiações de políticos oriundos de outras legendas e a presença de familiares do presidente estadual do partido em candidaturas proporcionais.
Críticos afirmam que o PT precisa recuperar sua identidade histórica junto às bases sociais, enquanto a direção defende uma estratégia pragmática de fortalecimento eleitoral.
Chapa ainda pode ser alterada
Pela legislação eleitoral, os partidos têm prazo até 15 de agosto para registrar oficialmente as chapas completas junto à Justiça Eleitoral.
Até lá, a definição sobre quem ocupará a vaga de vice de Hana Ghassan continua aberta.
Caso Dirceu Ten Caten seja confirmado, o PT tende a considerar encerrada a disputa interna da aliança.
Se outro nome for escolhido, a pressão sobre a direção petista poderá aumentar, reabrindo discussões sobre o papel do partido dentro da coalizão liderada pelo MDB.
Enquanto isso, a convenção do MDB consolidou a força política do grupo governista, mas também evidenciou que parte das negociações mais delicadas da aliança ainda permanece em andamento.
Fonte: Informações do portal EPOL, entrevistas concedidas ao portal O Fluxo, registros da convenção estadual do MDB e dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

